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Quem são os culpados por Mariana e Brumadinho?

Quando eu era criança, na década de 1970, na tv preto e branco havia uma série de desenhos chamada “The Marvel Super Heroes”, que basicamente fazia uma apresentação de slides, narrada, com os quadrinhos da Marvel, Capitão América, Vingadores, Hulk, etc. Se você quiser, é possível escavar algo dessa série no YouTube. Uma dessas estórias é um clássico. Considerada até hoje uma das melhores estórias já publicadas pela Marvel: “The Sleeper Shall Awake” de 1966; onde o Caveira Vermelha, o grande oponente do Capitão América na IIª Guerra Mundial, deixa um conjunto de grandes robôs hibernando após a derrota nazista. Ao acordarem, esses “hibernantes” irão se juntar para derreter a calota polar, chegando até o núcleo da Terra1. Muito bem, como resquícios da Revolução Industrial nosso espaço vital está repleto de “hibernates” que, assim como no quadrinho, estão à espera de uma oportunidade para nos destruir. A barragem de contenção de Brumadinho, assim como são a maioria dessas construções, tem quase cinquenta anos. Foi construída em 1976. Muito provavelmente por um engenheiro sênior, supervisionando o seu projeto. Fundamentalmente, um profissional com pelo menos vinte anos de experiência. Ou seja, que se formou na década de 1950, com o conhecimento da década de 1920, ou na melhor das hipóteses de 1930. De forma pragmática, apenas para encerrar essa etapa da discussão...é óbvio que isso ia dar errado. Para falar a verdade, até que demorou e quem fez, lá atrás, trabalhou muito bem com o que tinha à disposição. A resposta, à pergunta inicial, é simples. Nós. Nós, toda a sociedade brasileira, somos culpados por Brumadinho. Nós ignoramos o aviso de Mariana. Nós deveríamos ter dado o recado claro para a VALE e a todas as organizações envolvidas (CVM, IBAMA, Governos Estaduais e Federais, etc.), de que não admitiríamos mais falhas desse tipo. Porque temos conhecimento, atualmente, para prevenir esse tipo de tragédia anunciada. É isso que devemos fazer agora e muito provavelmente nas duas próximas gerações, desenterrar os “hibernantes” que nossa sociedade orientada ao consumo linear nos deixou. Alguns serão facilmente eliminados, outros levarão milhares de anos para desaparecer. Na outra ponta, devemos parar de criar nossos “hibernantes”, aprendendo a preservar o valor de tudo o que tem valor, por design e não mais por acaso apenas. Esta é a função da circularidade e a transição da Economia Linear atual para a Circular. E é dever de todos nós refletirmos sobre…

OS TIGRES E O MORANGO

Esta pequena estória já me acompanha há vinte e seis anos, desde que eu a li em um gibi do Capitão América. Gibi mesmo, ainda demorou um bom tempo para essas publicações serem chamadas de quadrinhos...e eram bem baratas. Mas a sua mensagem torna-se incrivelmente útil em nosso momento atual e vale uma pequena discussão. A interpretação dessa estória inicialmente parece óbvia e, de forma geral, pode ser resumida mais ou menos assim:   “ – Não devemos ficar presos no passado, ou demasiadamente preocupados com o futuro, devemos aproveitar o presente. ”   Ou, em nosso contexto atual, de uma percepção sistêmica generalizada de crise econômica, isto pode ser interpretado da seguinte forma:   “ – A solução para as dificuldades de sua organização está no momento atual, naquilo que você pode fazer agora, não naquilo que você fez no passado, ou pode planejar fazer no futuro. “   Esta é uma interpretação simplista e temos certeza que você já deve tê-la ouvido através dos oráculos econômicos de plantão (SEBRAE, Pequenas Empresas e Grandes Negócios, Revista EXAME, etc.), ou irá ouvi-la em breve. No entanto, nosso contexto econômico e social é complexo, assim como a nossa pequena estória de Buda e, por isso, devemos interpretá-la com extremo cuidado.   A solução que o homem encontrou, em um momento aparentemente de crise extrema, só aconteceu porque ele manteve a mente atenta e soube, no meio de uma sequência de eventos inesperados, identificar a oportunidade correta para lhe ajudar a sobreviver naquele instante. Muito provavelmente, em algum momento próximo, algum dos tigres terá que ir embora.   Assim, para sobreviver você precisa, antes de tudo, pensar com clareza e maximizar a utilidade dos ativos que você tem à sua disposição. Isso, em termos organizacionais, significa que você deve revisar seu planejamento estratégico, manter a sua cultura organizacional sob controle e identificar os ativos de valor real para ajuda-lo neste momento.   Se você não conseguir revisar o seu planejamento estratégico um dos tigres irá lhe pegar. Se a sua cultura organizacional não for capaz de se adequar ao momento você irá cair - o rato que rói o cipó. Se você não tem ativos para lhe ajudar a sobreviver você não irá conseguir esperar mais do que os tigres.   Em outras palavras só irá sobreviver a organização que tem condições de adequar o seu posicionamento às restrições do mercado, uma…

A INFLUÊNCIA DO AUMENTO DAS EXPECTATIVAS DE VIDA DAS POPULAÇÕES MUNDIAS SOBRE AS HABILIDADES DE TRABALHO – PARTE I.

Este post começa a discussão sobre os principais fatores de mudança e as habilidades que deverão ser desenvolvidas para a jornada relacionada ao estabelecimento da Economia do Conhecimento.   2015.06.01 – Nelson Marinelli Filho Ao utilizarmos a ideia de que as populações mundiais estão envelhecendo estamos apenas resumindo todo o conjunto de eventos relacionados à modificação da forma das Pirâmides Demográficas das principais nações do Globo.   Para resumir a explicação, em pouco tempo não poderemos nem mais chama-las de pirâmides, como mostra a imagem da Figura 1. Ou seja, não haverá mais uma reserva de “mão-de-obra” jovem, barata e inexperiente disponível para sustentar a demanda dos mercados consumidores, com a sua evolução de renda, e até mesmo os sistemas de previdência social. Figura 1 – A evolução da Pirâmide Etária Absoluta do Brasil (1980-2050). Adaptado a partir de Oliveira, J.C., Albuquerque, F.R.P.C, LINS, I.B. (2004) – Projeção da população do Brasil por sexo e idade para o período de 1980 – 2050. Rio de Janeiro. IBGE. 82p.   Entender um conjunto de dados tão significativos nunca é tarefa fácil, mas um bom primeiro passo neste tipo de situação é declarar o seu objetivo inicial. O nosso é entender como o envelhecimento da população mundial é um fator de mudança nas habilidades de trabalho que serão valorizadas nas próximas décadas.   Tendo em mente esse objetivo a resposta torna-se fácil: para que as economias mundiais não se tornem gigantescos Esquemas Ponzi, as faixas etárias superiores das populações deverão ter cada vez mais capacidade de gerar valor e renda. Ou seja, devemos procurar ensinar aos nossos jovens a necessidade de ter uma vida sustentável e se manterem constantemente atualizados profissionalmente sem medo de encarar constantes mudanças de carreiras.   Neste sentido, um importante referencial é o “Global Age Watch Index” que, basicamente, ao ponderar um conjunto de fatores específicos universais tenta mostrar como as estão preparadas para enfrentar, nas próximas décadas, o envelhecimento de suas populações (http://www.helpage.org/global-agewatch/).   Quando o consultamos em 26.05.2015, o Brasil ocupava a 58ª posição. Não é surpresa nenhuma ocuparmos lugares de pouco mérito nos indicadores de desenvolvimento humano. Sem ironia, estamos até acostumados a isso. O que realmente nos causou expando foi nosso comportamento bipolar, como mostra o nosso “report card” na Figura 2. Figura 2 – “Report card” do Brasil segundo as quatro dimensões principais do Global Age Watch Index: mobilidade social, seguridade, saúde e…

A EVOLUÇÃO DAS HABILIDADES DE TRABALHO NA BUSCA PELA ECONOMIA DO CONHECIMENTO.

Esta é a Introdução de uma série de posts, onde iremos discutir os fatores de mudança e as habilidades que deverão ser desenvolvidas para a jornada relacionada ao estabelecimento da Economia do Conhecimento. 2015.05.25 – Nelson Marinelli Filho. Eric Hobsbawn, quando questionado sobre os fatores que levaram a Humanidade a evoluir cientificamente e tecnologicamente de maneira tão intensa no século XX, respondeu de forma muito assertiva: foi a disponibilização de escolas públicas, gratuitas e de bom nível para os filhos dos trabalhadores logo no início do século que levou a Humanidade a acumular conhecimento e conquistas em uma proporção incrível, se comparados com os seis mil anos anteriores de nossa história (The Age of Extremes: The short Twentieth Century, 1914-1991). Esta é uma é uma percepção que só um humanista deste calibre poderia realizar e continua válida: nossas escolas são os nossos maiores patrimônios. No entanto, desde a Segunda Guerra Mundial este precioso ativo da Humanidade tem se desgastado, perdendo valor em nossas vidas e, no momento atual, a formação acadêmica está tornando-se uma simples commodity. Este ciclo pode ser muito bem entendido através das observações sobre a perda de valor intrínseca a instalação dos mecanismos de Governança Corporativa, que William Pounds explicou muito bem ao longo de sua carreira. William Pounds foi Diretor da Sloan Management School, do renomado MIT, e considerado por muitos a maior autoridade mundial em Governança Coorporativa. Mas esse ciclo iremos discutir em outra oportunidade futura. Neste momento, achamos mais produtivo discutir quais são os fatores mundiais que fazem pressão pela modificação da escola, de seu papel e valor. E depois, em função desses fatores de mudança, quais serão as habilidades que nós deveremos desenvolver para atender a demanda do mercado de trabalho da próxima década. São seis os fatores de mudança que iremos discutir neste trabalho: 1) O aumento da expectativa de vidas das populações mundiais; 2) A expectativa do aumento da inteligência das máquinas; 3) O Mundo computacional; 4) O novo ecossistema da Mídia; 5) Organizações Superestruturas; 6) Mundo globalmente conectado.   Esperamos que vocês nos acompanhem nesta discussão e contribuam com as suas ideias e conhecimento. Obrigado. Nelson.   Nelson Marinelli Filho é D.Sc. (Engª Mecânica) pela USP e Gestor de Inovação da ATIVECON, onde desenvolve projetos de Inovação nas mais variadas áreas da economia com seus clientes, modelagem de negócios Web e programas de treinamento e capacitação.

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