Este post começa a discussão sobre os principais fatores de mudança e as habilidades que deverão ser desenvolvidas para a jornada relacionada ao estabelecimento da Economia do Conhecimento.

 

2015.06.01 – Nelson Marinelli Filho

Ao utilizarmos a ideia de que as populações mundiais estão envelhecendo estamos apenas resumindo todo o conjunto de eventos relacionados à modificação da forma das Pirâmides Demográficas das principais nações do Globo.

 

Para resumir a explicação, em pouco tempo não poderemos nem mais chama-las de pirâmides, como mostra a imagem da Figura 1. Ou seja, não haverá mais uma reserva de “mão-de-obra” jovem, barata e inexperiente disponível para sustentar a demanda dos mercados consumidores, com a sua evolução de renda, e até mesmo os sistemas de previdência social.

piramide

Figura 1 – A evolução da Pirâmide Etária Absoluta do Brasil (1980-2050). Adaptado a partir de Oliveira, J.C., Albuquerque, F.R.P.C, LINS, I.B. (2004) – Projeção da população do Brasil por sexo e idade para o período de 1980 – 2050. Rio de Janeiro. IBGE. 82p.

 

Entender um conjunto de dados tão significativos nunca é tarefa fácil, mas um bom primeiro passo neste tipo de situação é declarar o seu objetivo inicial. O nosso é entender como o envelhecimento da população mundial é um fator de mudança nas habilidades de trabalho que serão valorizadas nas próximas décadas.

 

Tendo em mente esse objetivo a resposta torna-se fácil: para que as economias mundiais não se tornem gigantescos Esquemas Ponzi, as faixas etárias superiores das populações deverão ter cada vez mais capacidade de gerar valor e renda. Ou seja, devemos procurar ensinar aos nossos jovens a necessidade de ter uma vida sustentável e se manterem constantemente atualizados profissionalmente sem medo de encarar constantes mudanças de carreiras.

 

Neste sentido, um importante referencial é o “Global Age Watch Index” que, basicamente, ao ponderar um conjunto de fatores específicos universais tenta mostrar como as estão preparadas para enfrentar, nas próximas décadas, o envelhecimento de suas populações (http://www.helpage.org/global-agewatch/).

 

Quando o consultamos em 26.05.2015, o Brasil ocupava a 58ª posição. Não é surpresa nenhuma ocuparmos lugares de pouco mérito nos indicadores de desenvolvimento humano. Sem ironia, estamos até acostumados a isso. O que realmente nos causou expando foi nosso comportamento bipolar, como mostra o nosso “report card” na Figura 2.

bipolar

Figura 2 – “Report card” do Brasil segundo as quatro dimensões principais do Global Age Watch Index: mobilidade social, seguridade, saúde e capacidade de geração de renda (http://www.helpage.org/global-agewatch/population-ageing-data/country-ageing-data/?country=Brazil).

 

O Brasil ocupa um excelente 14º posto com relação à seguridade social e um desastroso 66º lugar com relação à capacidade das faixas superiores (a partir de 55 anos) de nossa pirâmide etária gerarem valor e renda. Isto é extremamente preocupante, pois acelera o processo de ruptura da sustentação da economia pela chamada “janela demográfica”.

 

E isto acontece em função de um único fator: a baixa escolaridade das faixas etárias superiores da população brasileira. Apenas 21,1% das pessoas com mais de 60 anos no Brasil possuem certificado de conclusão do 2º Grau ou diploma universitário.

Dentro deste contexto, algumas das principais referências mundiais no estudo da evolução do trabalho indicam que o envelhecimento das populações irá valorizar, principalmente, duas habilidades de trabalho nas próximas décadas:

 

1) A Transdiciplinaridade: que é o conjunto de competências que leva a habilidade de entender conceitos através de diferentes disciplinas; e

 

2) Fluência nos novos ambientes de mídia: é a habilidade de avaliar criticamente e desenvolver conteúdo adequado à novas mídias e, ao mesmo, tempo utilizá-las para uma comunicação persuasiva.

 

No próximo post iremos abordar como essas habilidades podem ser alinhadas ao contexto brasileiro.

 

Esperamos as suas contribuições.

 

Obrigado. Nelson.

admin | matheus@ativecon.com.br

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